Chris Anderson ensina e a gente aprende

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

No início do ano escrevi um post aqui mesmo no site da Soul sobre o livro A Cauda Longa de Chris Anderson. Pois ontem tive a grata oportunidade de assistir à palestra do autor no IV Fórum de Internet Corporativa promovido pela AGADi e foi, de longe, a palestra mais relevante à qual já assisti por essas bandas dos pampas. A primeira hora da apresentação foi sobre a unânime teoria da Cauda Longa. Nos 40 minutos finais, Chris introduziu sua tese do Free, levantando questões ainda a serem clarificadas. Quem sabe em junho do ano que vem no lançamento do livro.

Buenas, não pretendo reproduzir toda a palestra aqui. Vou me limitar a um ponto especial que mais me chamou a atenção. Mas antes, uma pequena introdução para contextualizar.

Chris iniciou sua apresentação lá no início do século XX. O surgimento do rádio abriu uma nova forma de distribuir informação e possibilitou transmitir mensagens a milhares de pessoas pelo custo de comunicar apenas uma. No entanto, os canais eram poucos e a distribuição da informação ainda limitada. Três ou quatro estações de rádio precisavam agradar seus milhares de ouvintes para gerar audiência, o que normalmente levava a temas padronizados. O famoso “one size fits all” (literalmente ‘um tamanho único veste a todos’).

Essa política foi logo incorporada pelo cinema e posteriormente pela indústria da música e da televisão. Com limitado número de canais, as mensagens precisavam ser padronizadas e facilmente absorvíveis por diferentes pessoas de diferentes culturas, educação e renda. Pessoas de características amplamente distintas eram atingidas pelas mesmas mensagens pasteurizadas.

Então Chris disse a única frase que anotei no dia de ontem: “Limited distribution offers only stuff that people like, not what they love.” (Distribuição limitada oferece apenas coisas que as pessoas gostam, não aquilo que amam.)

Em outras palavras, a variedade de escolhas permitiu às pessoas se darem o privilégio de serem autênticas. Por isso, para mim, a frase define a sociedade atual, especialmente o público jovem, web-native, inatos ao ambiente digital.

A teoria da cauda longa diz, resumidamente, que a ampliação dos canais de distribuição possibilitou o acesso a produtos novos. Se oferecermos uma variedade de 10 produtos a um grupo heterogêneo de pessoas, é provável que elas se concentrem em 3 ou 4. Mas e se fossem oferecidos 10 mil itens? Será que os 3 ou 4 itens do exemplo anterior continuariam a ser os mais escolhidos? Provavelmente não. As escolhas seriam pulverizadas devido à maior oferta, combinado de acordo com a personalidade de cada indivíduo. O pessoal optaria pelo produto que ama e não aquele que simplesmente gosta.

E a teoria transcende questões comerciais. Não estamos falando apenas de produtos desses que se pode comprar com cartão de crédito. Entra nesse bolo o consumo de cultura e toda produção de conteúdo. Música, filmes, até mesmo jornais e canais de TV. Cada um ouve o que quer, lê o que gosta, assiste ao que mais lhe combina.

Isso se reflete na sociedade que está incontestavelmente mais tolerante. É fato. Atitudes e comportamentos antes considerados inapropriados ou simplesmente ‘esquisitos’ passaram a fazer parte do cotidiano, sendo incorporados à “normalidade“. As pessoas estão absorvendo toda essa autenticidade. Você faz o que ama, se comporta de acordo com o que você é. Afinal, hoje todos têm mais escolhas, uma variedade imensa de opções. Ninguém mais está preso a ofertas limitadas. A ampliação dos canais de distribuição possibilitou o acesso a informações novas e segmentadas.

Tá, mas e o que isso tem a ver com o meu mercado? Bem, o comportamento do consumidor moderno nada mais é do que um reflexo disso. Todos têm ao seu alcance aquilo que desejam em qualquer hora do dia, tudo do seu jeito. É um consumidor exigente que demanda atenção.

E é melhor que se atenda aos seus desejos pois, como nos diz a Cauda Longa, a variedade de escolha é cada vez maior.

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Seu site: o amigo bonachão da turma

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Aposto que você tem, em sua turma, uma pessoa que se destaca, aquele bonachão que todos adoram. Passam a semana aguardando pelo churrasco para rir de suas piadas sarcásticas, acompanhar suas ironias inteligentes ou simplesmente para jogar conversa fora sobre trivialidades da vida. Não tenho dados estatísticos, mas acredito que quem tem uma vida social minimamente ativa certamente conhece alguém que se encaixe nesse perfil.

Agora, imagine a decepção quando, chegado o churrasco, seu amigo está triste, quieto, introspectivo, interagindo por monossílabos. Curioso, você se aproxima para perguntar o que está errado apenas para descobrir que já é a quarta vez que lhe perguntam isso. Você sai de fininho esperando que, depois de umas cervejas, seu humor melhore. Mas não é o que acontece. A expectativa que se mantinha alta vai aos poucos caindo até você finalmente aceitar que, bem, dali não sai mais nada.

Pois bem, o amigo bonachão pode ser o seu site. Se você for competente com seu site, vai apresentar conteúdos interessantes e naturalmente convidar internautas para interagir. E está montado o cenário: seus visitantes criaram a expectativa. Por isso, você é obrigado a manter uma boa freqüência de publicações para sustentar a visitação, mantendo o interesse e a curiosidade do público sempre em alta.

Campanhas de divulgação de sites são consideradas bem sucedidas quando criam uma expectativa positiva no público. Mas não significa o mesmo para o site. Só podemos considerar um site como bem sucedido se este corresponder ou suplantar expectativa gerada com os conteúdos nele publicados. E mais, deverá ter a capacidade de se reciclar e continuar superando a expectativa do internauta.

Não… ninguém disse que seria uma tarefa simples. Olhe ao redor e veja a quantidade de informação a qual temos acesso. Aprendemos desde arte contemporânea até juntas, filtros e solenóides de transmissões automáticas. E agora que você criou um site e é responsável por ele, aprenda a lidar com isso. Tenho certeza que seus concorrentes já aprenderam. E se não aprenderam, ótimo. Está aí uma excelente oportunidade para gerar um diferencial e agregar valor para a marca de sua empresa.

As pessoas precisam de informações. Se você tiver a competência de apresentar um conteúdo relevante sobre o seu nicho de mercado, além da prova de que você entende do seu negócio, também estará abrindo um canal de interação com o aqueles que mais lhe interessam: pessoas que estão atrás da informação que você domina!

Um exemplo próximo da Soul: www.margs.rs.gov.br. O Museu de Arte do Rio Grande do Sul vem construindo, dia a dia, uma proximidade com interessados em arte. Apresentando um conteúdo rico e constantemente atualizado no site, o MARGS demonstra sua preocupação em manter o internauta informado além de compartilhar seus conhecimentos em arte, uma de suas maiores virtudes: o bem intelectual. E o internauta comprova sua fidelidade e atesta o projeto como bem sucedido em números: desde seu lançamento em dezembro de 2007, o número de acessos triplicou e continua mês a mês se superando.

Se você já possui um site, não pode se dar ao luxo de passar muito tempo na fossa ou de mau humor. Quem acessa o site quer ouvir o que você tem a dizer. Então diga. Se por um acaso fatídico você ainda não possuir um site, mude de atitude e aprenda a dizer algo que faça com que as pessoas prestem atenção em você. É legal ser o amigo bonachão.

Postado por: Marcio Cassol | Comentar

Freak Speak Gang

Terça-feira, 1 de Abril de 2008

A parceria, que já completa 3 anos, entre as Lojas Gang e a Agência Soul rendeu mais um fruto no final desse mês de março. Para o lançamento do Programa Freak Speak Gang, na Rádio Pop Rock, a Soul criou uma ação enfatizando a constante preocupação da Gang em dar voz aos adolescentes.

No site soltesualingua.com.br o personagem John Freak tentava comunicar o lançamento do programa, mas era impedido por cordas e mordaça. Assim, para ganhar um iPod Shuffle os internautas teriam que desvendar o maior número de palavras pronunciadas por John. Reforçando o direcionamento ao site foram veiculados spots, anúncios impressos e distribuídas balas de menta nas principais escolas de Porto Alegre.

No dia 29/03, revelou-se o vencedor da promoção, assim como a fala de John Freak comunicando o lançamento do Programa Freak Speak Gang.

Postado por: Leandro Corrêa | Comentar

Criando vergonha na cara

Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

A Agência Soul, como empresa de comunicação que é, trabalha e vende criatividade. Pensamos idéias e as transformarmos da melhor forma para que se tornem vanguardistas, inovadoras e inusitadas, sempre com o objetivo de surpreender e fidelizar. Mas fazia algum tempo que vínhamos enfrentando uma grande dificuldade na criação de um elemento fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa: vergonha na cara.

Por inúmeras vezes fomos questionados de “como pode uma empresa que cria para internet não ter um site próprio?”. Era com extrema dificuldade que nos esquivávamos dessa e outras perguntas cabeludas como “e o site novo, hein? quando vai pro ar?” sempre que uma nova tela de espera era publicada. Não que a gente não se orgulhasse das telas de espera que eram sempre criativas e diferentes, mas concordamos que orgulho maior teríamos se o endereço www.agenciasoul.com.br levasse a um site de conteúdo, com os trabalhos mais recentes da Soul e que debatesse assuntos relevantes da comunicação.

Então, após mais ou menos três anos alterando entre uma tela de espera e outra, conseguimos finalmente criar a tal vergonha na cara. E é com orgulho que apresentamos o novo site da Agência Soul.

Com criação e desenvolvimento de Leandro Corrêa, pitacos e pitadas de toda a equipe da Soul, o site traz como principal destaque a seção POR DENTRO, um blog que pretende discutir assuntos relacionados à web, design, publicidade e outros fatos notáveis do nosso mercado de comunicação. E dá para acompanhar sempre que um novo post foi publicado inscrevendo-se para receber os nossos feeds. O restante do site se completa com a seção POR ORA, uma lista dos melhores e mais recentes trabalhos da Agência Soul, e as demais informações institucionais e de praxe para uma empresa de comunicação.

Pois bem, site novo no ar, a inauguração é comemorada com dois posts fresquinhos: um tratando do livro A Cauda Longa, de Chris Anderson, e outro versando sobre dois dos mais conhecidos formatos de publicidade online. E isso é apenas o começo de 2008 que promete ser próspero, divertido e de muito trabalho. Se bem que todo ano que se inicia promete a mesma coisa. Mas é aí que entra a essência da nossa profissão: criar para surpreender e se diferenciar.

Enjoy!

Postado por: Marcio Cassol | 4 comentários

A Cauda Longa

Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Segundo a última revista Época de 2007, duas coisas são obrigatórias nas empresas de tecnologia hoje em dia: ter uma boa apresentação PowerPoint e fazer alguma menção ao livro A Cauda Longa, de Chris Anderson. No livro, Chris descreve o crescimento dos mercados de nicho que passam a fazer frente aos grandes hits. Em outras palavras, com a internet e seu ilimitado poder de armazenamento, mercados que eram antes ignorados por não serem vendidos em massa, hoje recebem uma atenção especial. Sendo assim, se eu quero consumir um filme feito por um grupo de universitários da Tailândia ao invés de Bee Movie do J. Seinfeld, eu posso graças à popularização dos mercados de nicho e seu grande poder de distribuição.

A consolidação da Internet é o principal fator que vem possibilitando essa inversão de comportamento de mercado. Lojas físicas possuem limitações físicas de espaço. Conseguem expor apenas o número de livros que suas estantes comportam ou as camisetas que seus cabides sustentam. Mas restrições de espaço não são problema na internet e pode-se expôr o que melhor convier ao vendedor.

A internet trouxe consigo a democratização do conteúdo. E esse é o segundo fator que contribui para a cultura de nichos. Existe na rede uma variedade infinita de conteúdos na medida em que novas opções surgem todos os dias. O mundo está num processo irreversível de individualização, em que cada pessoa monta seu dia-a-dia de acordo com as suas vontades. Por exemplo, posso baixar meus programas favoritos ou gravá-los num TiVO da vida para assistir na hora que me der na telha. Posso escolher as informações que quero ler e organizar tudo através dos meus feeds. Se eu quiser, monto uma rádio só pra mim, recheado com minhas canções ou estilos favoritos num Pandora (que não “roda” no Brasil), Last.fm ou Musicovery e disponibilizo para todo mundo ver. Tudo do meu jeito, como eu quero.

A teoria da Cauda Longa é mais uma forma de explicar as constantes mudanças pelas quais nosso querido mercado passa. Hoje temos acesso a praticamente tudo o que desejamos a poucos cliques de distância. Estamos cada vez mais acostumados a isso, o que, em pouquíssimo tempo deve fazer com que o nosso consumidor se transforme num grupo de crianças mimadas que sempre conseguem o que querem. E é importante estar preparado, ter know-how e ferramentas para lidar com o novo comportamento desse consumidor. Crianças birrentas fazem escândalos. E quer escândalo maior do que trocar a sua marca pela do concorrente?

Veja também:
O blog do livro
Um vídeo feito baseado no livro
Entrevista com Chris Anderson na revista Época

Postado por: Marcio Cassol | 1 comentário

Publicitário, clique aqui

Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Quem já acompanhou o desenvolvimento de um site na internet sabe o quanto o processo é trabalhoso. Mesmo os projetos pequenos exigem bastante esforço na definição da abordagem, conteúdos, layouts, navegação e tecnologias a serem utilizadas. Entretanto, é curioso notar que depois de tanto tempo e dinheiro investido, a internet parece ser o meio de comunicação menos utilizado para divulgá-lo. Por isso, vale a pena conhecer melhor os dois formatos de Publicidade na web mais utilizados atualmente: o banner e o link patrocinado.

Velho conhecido dos internautas, o banner consiste basicamente em um anúncio gráfico que contém mensagens publicitárias e links que podem encaminhar os consumidores até o site do anunciante. Os banners se destacam pela possibilidade de apresentar imagens em movimento, animações, sons e vídeos, além de recursos mais avançados como jogos especiais e elementos interativos. Trata-se de um formato interessante para se expor e aumentar a lembrança da marca do produto, demonstrar seus diferenciais e provocar reações emotivas e impactantes sobre o consumidor. Contudo, seu modelo de comercialização - vinculado ao tempo ou número de vezes que é exibido - eleva consideravelmente o custo do banner sendo um formato mais adequado para anunciantes de médio e grande porte. Só para exemplificar, o investimento mínimo de uma campanha de banners no portal Yahoo Brasil é de R$ 5.000,00.

Em contrapartida, o link patrocinado é um formato bem mais simples: consiste apenas em um anúncio de texto semelhante aos pré-históricos classificados de jornal impresso. Seu principal diferencial é que na web o anunciante pode veiculá-lo como forma de patrocínio de palavras-chave que os internautas pesquisam em sites de busca, o que resulta numa comunicação publicitária extremamente relevante para o consumidor. Afinal, qual melhor momento para se exibir na web o anúncio de uma loja de acessórios esportivos do que quando o consumidor está procurando por “chuteiras” ou “raquete de tênis” no Google? Aliás, de que outra forma seria possível comunicar-se com um público tão segmentado?

Este formato também se destaca por seu modelo de comercialização pay-per-click, onde o anunciante não paga quando seu anúncio é visualizado, mas apenas quando é “clicado”. E mais: o anunciante ainda pode definir quanto quer pagar pelos “cliques”. Assim, os investimentos publicitários ficam vinculados diretamente à geração de tráfego de para o site, baixando consideravelmente os custos da campanha e flexibilizando seu planejamento. O crédito mínimo para se iniciar uma campanha de links patrocinados no Google Brasil, por exemplo, é de apenas R$ 40,00, de onde será descontado o valor de cada “clique” que o anúncio receber. Por isto, este formato se consolidou como ideal para anunciantes de pequeno porte que pouco ou nunca investem em Publicidade na web.

Através de banner e links patrocinados, a Publicidade na web permite que o anunciante alcance diversos públicos de diferentes maneiras, com diferentes mensagens e apelos, potencializando sua comunicação publicitária e desenvolvendo o relacionamento com seus consumidores como nenhuma outra mídia é capaz de fazer. Com todas estas vantagens, então, e considerando o crescimento de uma geração de consumidores cada vez mais conectados ao mundo on-line, porque no Brasil ainda se investe 59,7% das verbas publicitárias em televisão, 15,8% em jornal, 9% em revista e apenas 2,6% em internet? (Projeto Intermeios - Setembro/2007).

Talvez porque a TV ainda seja o meio de comunicação mais querido da população brasileira. Talvez porque ainda exista pouco know-how sobre exploração de Publicidade na internet. Ou talvez porque as agências de Publicidade tradicionais não incentivam seus clientes a investir num meio que não lhes pague vultosas comissões de mídia.

Enfim, são temas para discussões futuras. De toda forma, o mais provável é que seja um pouco de tudo isto.

Postado por: Leandro Corrêa | 1 comentário
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