No início do ano escrevi um post aqui mesmo no site da Soul sobre o livro A Cauda Longa de Chris Anderson. Pois ontem tive a grata oportunidade de assistir à palestra do autor no IV Fórum de Internet Corporativa promovido pela AGADi e foi, de longe, a palestra mais relevante à qual já assisti por essas bandas dos pampas. A primeira hora da apresentação foi sobre a unânime teoria da Cauda Longa. Nos 40 minutos finais, Chris introduziu sua tese do Free, levantando questões ainda a serem clarificadas. Quem sabe em junho do ano que vem no lançamento do livro.
Buenas, não pretendo reproduzir toda a palestra aqui. Vou me limitar a um ponto especial que mais me chamou a atenção. Mas antes, uma pequena introdução para contextualizar.
Chris iniciou sua apresentação lá no início do século XX. O surgimento do rádio abriu uma nova forma de distribuir informação e possibilitou transmitir mensagens a milhares de pessoas pelo custo de comunicar apenas uma. No entanto, os canais eram poucos e a distribuição da informação ainda limitada. Três ou quatro estações de rádio precisavam agradar seus milhares de ouvintes para gerar audiência, o que normalmente levava a temas padronizados. O famoso “one size fits all” (literalmente ‘um tamanho único veste a todos’).
Essa política foi logo incorporada pelo cinema e posteriormente pela indústria da música e da televisão. Com limitado número de canais, as mensagens precisavam ser padronizadas e facilmente absorvíveis por diferentes pessoas de diferentes culturas, educação e renda. Pessoas de características amplamente distintas eram atingidas pelas mesmas mensagens pasteurizadas.
Então Chris disse a única frase que anotei no dia de ontem: “Limited distribution offers only stuff that people like, not what they love.” (Distribuição limitada oferece apenas coisas que as pessoas gostam, não aquilo que amam.)
Em outras palavras, a variedade de escolhas permitiu às pessoas se darem o privilégio de serem autênticas. Por isso, para mim, a frase define a sociedade atual, especialmente o público jovem, web-native, inatos ao ambiente digital.
A teoria da cauda longa diz, resumidamente, que a ampliação dos canais de distribuição possibilitou o acesso a produtos novos. Se oferecermos uma variedade de 10 produtos a um grupo heterogêneo de pessoas, é provável que elas se concentrem em 3 ou 4. Mas e se fossem oferecidos 10 mil itens? Será que os 3 ou 4 itens do exemplo anterior continuariam a ser os mais escolhidos? Provavelmente não. As escolhas seriam pulverizadas devido à maior oferta, combinado de acordo com a personalidade de cada indivíduo. O pessoal optaria pelo produto que ama e não aquele que simplesmente gosta.
E a teoria transcende questões comerciais. Não estamos falando apenas de produtos desses que se pode comprar com cartão de crédito. Entra nesse bolo o consumo de cultura e toda produção de conteúdo. Música, filmes, até mesmo jornais e canais de TV. Cada um ouve o que quer, lê o que gosta, assiste ao que mais lhe combina.
Isso se reflete na sociedade que está incontestavelmente mais tolerante. É fato. Atitudes e comportamentos antes considerados inapropriados ou simplesmente ‘esquisitos’ passaram a fazer parte do cotidiano, sendo incorporados à “normalidade“. As pessoas estão absorvendo toda essa autenticidade. Você faz o que ama, se comporta de acordo com o que você é. Afinal, hoje todos têm mais escolhas, uma variedade imensa de opções. Ninguém mais está preso a ofertas limitadas. A ampliação dos canais de distribuição possibilitou o acesso a informações novas e segmentadas.
Tá, mas e o que isso tem a ver com o meu mercado? Bem, o comportamento do consumidor moderno nada mais é do que um reflexo disso. Todos têm ao seu alcance aquilo que desejam em qualquer hora do dia, tudo do seu jeito. É um consumidor exigente que demanda atenção.
E é melhor que se atenda aos seus desejos pois, como nos diz a Cauda Longa, a variedade de escolha é cada vez maior.





